Autoexame da pele: como examinar as pintas em casa, passo a passo
O autoexame da pele é a observação do corpo inteiro, com boa luz, um espelho grande e um espelho de mão, para perceber pintas novas, pintas que mudaram, a pinta diferente de todas as outras (o "patinho feio") e feridas que não cicatrizam. As entidades médicas recomendam fazê-lo com regularidade, e uma vez por mês é um ritmo fácil de manter. Ele não dá diagnóstico nem substitui a consulta: serve para notar a mudança cedo e antecipar a avaliação com o dermatologista.
Dezembro é o mês da campanha Dezembro Laranja, de conscientização sobre o câncer de pele, e um bom momento para começar o hábito. Os sinais que diferenciam uma pinta comum de uma suspeita, como a regra do ABCDE, estão em sinais de alerta para o câncer de pele.
Para que serve o autoexame da pele?
O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil, e o diagnóstico precoce permite melhores resultados no tratamento. Para o melanoma, o tipo mais grave, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 9.360 casos novos por ano no país entre 2026 e 2028.
O INCA ressalva que não há evidência de que uma técnica específica de autoexame, sozinha, reduza a mortalidade. Mas grande parte dos melanomas é percebida pelo próprio paciente ou pela família, e por isso conhecer a própria pele faz diferença. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) resume: o autoexame é válido, mas não substitui a consulta. E, como lembra o INCA, na maior parte das vezes as alterações na pele não são causadas por câncer: o objetivo é perceber o que é novo ou diferente, e não se assustar com cada pinta.
O que você precisa para fazer o autoexame?
Luz boa, um espelho de corpo inteiro, um espelho de mão, um pente ou secador para o couro cabeludo, uma cadeira para apoiar o pé e papel para anotar. Para as costas e o couro cabeludo, ajuda muito ter alguém de confiança. Prefira fazer o exame depois do banho, com a pele seca e as unhas sem esmalte.
Como fazer o autoexame da pele, passo a passo?
Siga sempre a mesma ordem: nenhuma região fica de fora, e fica mais fácil comparar de um mês para o outro.
- Frente do corpo. Diante do espelho grande, olhe o rosto, o pescoço, o colo, o peito, a pele embaixo das mamas, a barriga e a frente das pernas.
- Laterais. De lado, com os braços levantados, examine as laterais do tronco e as axilas.
- Rosto e orelhas. Com o espelho de mão, olhe o nariz, os lábios, as pálpebras, as orelhas e a pele atrás delas.
- Couro cabeludo e nuca. Afaste os fios faixa por faixa, com o pente ou o secador. É uma das regiões mais difíceis de ver sozinho: peça ajuda.
- Braços e mãos. Olhe os antebraços, a parte de trás dos braços, as palmas, o dorso das mãos e o espaço entre os dedos.
- Unhas. Nas mãos e nos pés, procure faixas escuras e manchas sob a unha que não vieram de uma batida. Veja melanoma na unha: quando a mancha escura merece investigação.
- Pernas e pés. Sentado, apoie um pé de cada vez na cadeira e olhe a parte de trás das pernas, o dorso dos pés, a sola, o calcanhar e o espaço entre os dedos.
- Região genital e glúteos. Use o espelho de mão para a região genital, a virilha e os glúteos.
- Costas. De costas para o espelho grande, segure o espelho de mão à frente e olhe da nuca até a parte de trás das coxas. Se puder, peça a alguém que olhe com calma.
- Anote. Registre, com a data, qualquer pinta nova, diferente ou que mudou, e onde ela fica. No mês seguinte, comece por ela.
O que observar em cada pinta?
Você não precisa classificar a lesão. Basta notar quatro situações:
- pinta nova;
- pinta que mudou de tamanho, forma, cor ou relevo, ou que passou a coçar, descamar ou sangrar;
- ferida que não cicatriza em algumas semanas (veja ferida que não cicatriza: quando se preocupar);
- o patinho feio, a pinta diferente de todas as outras.
Nem todo câncer de pele é uma pinta escura: o carcinoma basocelular, o mais comum, costuma ser uma bolinha rosada e brilhante ou uma ferida que fecha e volta a abrir. Por isso o autoexame olha a pele toda.
O que é o sinal do patinho feio?
Cada pessoa tem um padrão próprio de pintas, que em geral se parecem entre si. O sinal do patinho feio, descrito em 1998, é a pinta que foge desse padrão: mais escura, maior ou de cor e formato diferentes das vizinhas. Ela merece avaliação mesmo quando não preenche os critérios do ABCDE. Durante o exame, compare as pintas de uma mesma região: a que destoa é a que vale anotar.
De quanto em quanto tempo examinar as pintas?
Autoexame: as orientações oficiais pedem regularidade, sem fixar um calendário. Uma vez por mês é um ritmo prático, que dá tempo de uma mudança aparecer sem virar preocupação diária. Uma data fixa, como o primeiro dia do mês, ajuda a lembrar.
Consulta: a SBD recomenda consultar um dermatologista ao menos uma vez por ano para um exame completo da pele. Quem tem risco maior pode precisar de intervalos menores, definidos na consulta.
Antes do prazo: pinta nova, pinta que mudou ou patinho feio não esperam a consulta de rotina. Marque uma avaliação.
Quem deve se examinar com mais atenção?
Qualquer pessoa pode ter câncer de pele, em qualquer tom de pele. Em peles mais escuras, segundo a Academia Americana de Dermatologia (AAD), o melanoma costuma aparecer na sola dos pés, na palma das mãos ou na unha e ao redor dela, regiões que o autoexame não pode pular.
Segundo a SBD, o INCA e a AAD, o risco é maior para quem:
- tem pele clara, que queima com facilidade, olhos claros ou cabelos ruivos ou loiros (entenda os fototipos de pele);
- tem muitas pintas (a AAD cita 50 ou mais) ou pintas atípicas;
- já teve câncer de pele ou tem parentes de sangue com melanoma;
- teve queimaduras solares com bolhas ou muita exposição ao sol na infância e na adolescência;
- se expõe muito ao sol no trabalho ou no lazer, ou já fez bronzeamento artificial;
- tem 50 anos ou mais, faixa citada pela AAD, lembrando que o melanoma também aparece em pessoas mais jovens.
Para quem tem história pessoal ou familiar de melanoma, o INCA afirma que o acompanhamento médico periódico pode trazer benefício, e o autoexame entra como complemento das consultas.
Encontrei uma pinta diferente. O que fazer?
Não tente tirar, cauterizar ou "secar" a pinta em casa: além da ferida e da cicatriz, a lesão destruída sem exame não pode mais ser analisada. Anote quando você a percebeu e o que mudou, e marque uma avaliação, sem pânico e sem adiar por meses. Se ela crescer em poucas semanas, sangrar sem trauma ou virar uma ferida que não fecha, procure atendimento mais rápido.
Na consulta, o dermatologista examina a pele inteira e avalia as lesões com a dermatoscopia, uma lente com luz própria que mostra estruturas invisíveis a olho nu. Muitas lesões que assustam se mostram benignas nesse exame; quando há suspeita, a confirmação é feita por biópsia.
O que é o Dezembro Laranja?
É a campanha de conscientização sobre o câncer de pele organizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, no mês em que começa o verão e as férias levam muita gente de São José dos Campos e do Vale do Paraíba para o Litoral Norte. Ela reforça três hábitos: proteger a pele, observar as próprias pintas e manter a consulta anual com o dermatologista. Na proteção do dia a dia, vale evitar o sol nas horas mais fortes (o INCA indica das 10h às 16h), procurar sombra, usar chapéu e roupas que cubram a pele e aplicar protetor solar com FPS 50 ou mais.
Avaliação das pintas em São José dos Campos
No consultório do Dr. Rodrigo Alves, no Centro de São José dos Campos, o exame das pintas é feito pelo médico com dermatoscopia manual, lesão por lesão, e está incluído na consulta. A consulta dura cerca de 60 minutos e inclui um retorno de 30 minutos em até 30 dias. O atendimento é particular, com nota fiscal para você pedir o reembolso ao plano, se o seu contrato permitir; o passo a passo está em reembolso de consulta particular pelo plano de saúde.
Se o autoexame mostrou algo novo ou diferente, leve suas anotações. A página de câncer de pele explica o diagnóstico e o tratamento no consultório, e os horários livres estão na agenda online.
Referências
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Câncer da pele: tipos, principais sintomas, tratamento e prevenção.
- SBD. Dezembro Laranja 2025: campanha alerta para a importância do autocuidado e do check-up anual. Novembro de 2025.
- SBD. Dezembro Laranja alerta: um sinal pode ser câncer de pele. Novembro de 2019.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pele melanoma: versão para a população.
- INCA. Câncer de pele melanoma: versão para profissionais de saúde.
- American Academy of Dermatology (AAD). How to perform a skin self-exam.
- AAD. Melanoma: causes and risk factors.
- NHS. Symptoms of melanoma skin cancer.
- Grob JJ, Bonerandi JJ. The 'ugly duckling' sign: identification of the common characteristics of nevi in an individual as a basis for melanoma screening. Archives of Dermatology, 1998;134(1):103-4.
Como fazer o autoexame da pele?+
Com boa luz, um espelho de corpo inteiro e um espelho de mão, examine o corpo sempre na mesma ordem: frente, laterais, rosto e orelhas, couro cabeludo, braços, mãos e unhas, pernas, solas e espaço entre os dedos, região genital e costas. Peça ajuda para as regiões que você não enxerga e anote, com a data, o que for novo ou diferente.
De quanto em quanto tempo devo examinar as pintas?+
Uma vez por mês é um ritmo prático para o autoexame. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda também consultar um dermatologista ao menos uma vez por ano; quem tem risco maior pode precisar de intervalos menores, definidos na consulta.
O autoexame substitui a consulta com o dermatologista?+
Não. O autoexame serve para perceber mudanças e antecipar a avaliação. O diagnóstico depende do exame da pele inteira, com dermatoscopia e, quando há suspeita, biópsia.
Quem tem pele escura precisa fazer o autoexame?+
Sim. O câncer de pele pode surgir em qualquer tom de pele. Em peles mais escuras, segundo a Academia Americana de Dermatologia, o melanoma costuma aparecer na sola dos pés, na palma das mãos ou na unha e ao redor dela, por isso essas regiões merecem atenção no autoexame.
O que é o Dezembro Laranja?+
É a campanha de conscientização sobre o câncer de pele organizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia em dezembro, início do verão. Ela reforça três hábitos: proteger a pele do sol, observar as próprias pintas e manter a consulta anual com o dermatologista.
Pinta nova é sinal de câncer?+
Na maioria das vezes, não: segundo o INCA, na maior parte das vezes as alterações na pele não são causadas por câncer. Mesmo assim, pinta nova, pinta que mudou ou pinta diferente das outras merece avaliação com dermatoscopia, que distingue a lesão comum da que precisa ser investigada.
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