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Doenças de pele
17 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Xantelasma: placas amareladas nas pálpebras têm tratamento?

Por Dr. Rodrigo Alves · Dermatologista · CRM-SP 191.578 · RQE 92.094
Escrito e revisado pelo Dr. Rodrigo Alves · atualizado em 17 de outubro de 2026
Pálpebra fechada vista de perto, com uma pequena placa amarelada perto do canto interno do olho e outra mais discreta na pálpebra inferior.

Foto de arquivo público (Wikimedia Commons), recortada para mostrar só a pálpebra, sem relação com o consultório. Crédito ao fim do texto.

Xantelasma são placas amareladas, macias, planas ou um pouco elevadas, que aparecem nas pálpebras, quase sempre perto do canto interno do olho. São depósitos de gordura na pele, benignos, que não doem nem coçam. Têm tratamento: podem ser retirados por cirurgia ou por técnicas que destroem a lesão, mas costumam voltar. E o aparecimento delas é um bom motivo para dosar o colesterol.

O que é xantelasma e por que aparece na pálpebra?

O xantelasma é o tipo mais comum de xantoma, nome dado ao acúmulo, na pele, de células carregadas de gordura. Na pálpebra, essas células ficam na parte superficial da derme, em volta de pequenos vasos, e dão a cor amarelada.

É relativamente frequente. Num grande estudo dinamarquês, com quase 13 mil adultos, 4,4% tinham xantelasma. Aparece mais em mulheres do que em homens e costuma surgir entre os 30 e os 50 anos. As placas muitas vezes aparecem dos dois lados e podem se juntar. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, sem tratamento, elas crescem de forma progressiva. Raramente atrapalham a visão ou o movimento da pálpebra; o incômodo costuma ser estético.

Xantelasma tem a ver com colesterol?

Tem, mas não em todos os casos. Os estudos encontram alteração do colesterol ou de outras gorduras do sangue em algo entre um terço e metade das pessoas com xantelasma. As demais têm exames normais.

Mesmo assim, a placa não é só uma questão estética. Um estudo dinamarquês acompanhou 12.745 adultos por até 33 anos: quem tinha xantelasma teve cerca de 1,5 vez o risco de infarto de quem não tinha, e essa associação se manteve mesmo depois de considerar os níveis de colesterol. Uma meta-análise de 2020 também encontrou LDL mais alto e sinais de aterosclerose mais frequentes nesses pacientes.

O passo seguinte, para quem descobre um xantelasma, é o perfil lipídico, que mede o colesterol total, as frações e os triglicerídeos. Conforme o caso, o médico pode pedir também exames de tireoide e de fígado. Quando as placas aparecem antes dos 40 anos, a investigação de alterações hereditárias do colesterol ganha peso. Se os exames vierem alterados, o acompanhamento segue com o clínico ou o cardiologista.

Mancha amarela no olho é sempre xantelasma?

Não. O xantelasma fica na pele da pálpebra. Uma mancha amarelada no branco do olho é outra coisa, em geral uma alteração da conjuntiva, e deve ser avaliada pelo oftalmologista.

Na própria pálpebra, outras lesões podem confundir:

  • mília, bolinhas brancas e duras de 1 a 2 mm;
  • siringomas, pequenas pápulas da cor da pele, mais comuns na pálpebra inferior;
  • hiperplasia sebácea, bolinhas amareladas com um pontinho no centro, mais na testa e nas bochechas;
  • carcinoma basocelular, lesão perolada, com vasinhos na superfície, que cresce devagar e pode sangrar. Veja como reconhecer o carcinoma basocelular.

Placas amareladas muito endurecidas, que crescem rápido ou abrem em ferida, fogem do padrão e merecem investigação, às vezes com biópsia.

Como tirar xantelasma?

Segundo a SBD, as opções se dividem em dois grupos:

  • Retirada cirúrgica, com anestesia local e pontos. Costuma ser preferida para placas maiores e mais profundas. Nas muito extensas, a retirada pode ser combinada com cirurgia da pálpebra e enxerto ou retalho de pele.
  • Técnicas que destroem a lesão, como a cauterização química com ácido em alta concentração, a eletrocoagulação e diferentes tipos de laser. Funcionam melhor em placas pequenas e superficiais e podem exigir mais de uma sessão.

A escolha depende do tamanho, da profundidade, da posição na pálpebra e da sobra de pele, que muda o risco de repuxamento. Todos os métodos podem deixar marca ou alteração de cor, e o risco cresce com o tamanho da placa. Por isso, tratar enquanto a lesão é pequena tende a ser mais simples.

Não use ácidos, canetas de plasma vendidas pela internet ou receitas caseiras perto do olho. Uma queimadura na pálpebra pode deixar uma cicatriz que repuxa e é difícil de corrigir. E controlar o colesterol protege o coração, mas nem sempre faz a placa regredir: a retirada costuma ser um passo à parte.

Xantelasma volta depois de tirar?

Pode voltar, e isso precisa ser conversado antes do tratamento. A recidiva aparece com todos os métodos. Em séries cirúrgicas antigas, ela chegou a 40% depois da primeira retirada e a 60% depois da segunda. Com a cauterização química, estudos relatam entre 25% e 39%. Trabalhos cirúrgicos mais recentes, com técnicas de reconstrução da pálpebra, descrevem taxas abaixo de 5%, em acompanhamentos mais curtos.

Numa revisão de 2023, a maior parte das recidivas descritas em dois estudos cirúrgicos ocorreu em pacientes com colesterol alto não controlado, o que reforça o cuidado com os exames. Placas novas também podem surgir em outros pontos da pálpebra, mesmo depois de uma retirada completa.

Avaliação de xantelasma em São José dos Campos

O Dr. Rodrigo Alves avalia placas e bolinhas nas pálpebras, confirma o diagnóstico e solicita os exames de sangue indicados. As opções de remoção são discutidas na consulta, considerando o tamanho, a localização e o risco de recidiva de cada caso. Em parte dos casos, a placa é retirada por cirurgia no próprio consultório, no Centro de SJC. Em situações específicas, como placas muito extensas ou em posição delicada da pálpebra, o encaminhamento é para a cirurgia plástica ou a oculoplástica.

Veja como é a consulta dermatológica e consulte os horários disponíveis.

Imagem de capa: Xanthelasma, foto de Klaus D. Peter, Wiehl, Alemanha, licença CC BY 3.0 DE, via Wikimedia Commons. Recortada para mostrar apenas uma pálpebra e redimensionada.

Referências

Perguntas frequentes
Xantelasma é contagioso?+

Não. É um depósito de gordura na pele, sem relação com vírus ou bactérias, e não passa para outras pessoas.

Xantelasma some sozinho?+

Em geral, não. As placas costumam permanecer e podem crescer devagar. O tratamento do colesterol alto é importante para a saúde, mas nem sempre faz a lesão regredir.

Quem tem xantelasma e colesterol normal pode ficar tranquilo?+

O colesterol normal é uma boa notícia, mas um estudo com mais de 12 mil pessoas mostrou que o xantelasma se associa a maior risco de infarto mesmo depois de considerar o colesterol. Vale manter o acompanhamento dos fatores de risco cardiovascular.

Existe pomada para tirar xantelasma?+

Não há pomada de uso em casa com eficácia comprovada para remover as placas. Os tratamentos são procedimentos feitos por médico, com a técnica escolhida para cada caso.

A retirada do xantelasma deixa cicatriz?+

Pode deixar marca ou alteração de cor. O risco depende do tamanho da placa, da técnica e da cicatrização de cada pessoa, e é discutido antes do procedimento.

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