Acrocórdon: aquelas verruguinhas moles no pescoço e nas axilas
Imagem ilustrativa.
Elas raramente são o motivo principal da consulta. A pessoa vem para avaliar uma pinta, e no fim pergunta, quase de passagem: "aproveitando, doutor, e essas peguinhas no pescoço?".
São os acrocórdons, também chamados de fibromas moles ou pólipos fibroepiteliais. No dia a dia ganham nomes como pelanca, verruguinha e sinal pendurado.
O que são
Acrocórdon é uma lesão benigna formada por tecido conjuntivo frouxo e vasos, revestida por pele normal, que cresce presa por um pedículo fino.
Isso explica as três características que aparecem juntas:
- Consistência mole, que cede ao toque.
- Cor da própria pele ou um pouco mais escura.
- Base estreita, com a lesão pendurada, o que permite movimentá-la.
O tamanho costuma ficar entre 2 e 5 mm, embora existam lesões maiores.
Onde aparecem e por quê
Os locais preferidos são bem característicos: pescoço, axilas, pálpebras, virilhas e a região embaixo das mamas. O que esses lugares têm em comum é atrito, dobras e contato com roupa ou pele sobre pele.
Os fatores que mais se associam ao aparecimento:
- Atrito crônico, o mais direto de todos.
- Sobrepeso e obesidade, que aumentam as dobras e o atrito.
- Idade, com aumento da frequência ao longo dos anos.
- Predisposição familiar.
- Gravidez, provavelmente por fatores hormonais.
- Resistência à insulina e síndrome metabólica.
Essa última associação merece um parágrafo próprio.
Quando as verruguinhas falam sobre o metabolismo
Quando alguém aparece com muitos acrocórdons, especialmente surgindo em pouco tempo, e ainda mais quando existe junto uma acantose nigricans (aquele escurecimento aveludado da nuca e das axilas), o achado deixa de ser puramente estético.
Esse conjunto se associa com frequência à resistência à insulina. Não é diagnóstico de diabetes, e não deve ser lido como sentença. É um sinal de pele que justifica uma conversa com o clínico e, quando indicado, exames de rastreamento.
Acho essa parte especialmente interessante porque mostra algo que a dermatologia faz o tempo todo: ler na pele pistas do que acontece no resto do corpo.
O que pode se parecer com um acrocórdon
A maioria dos casos é evidente ao exame. Ainda assim, algumas lesões entram no diagnóstico diferencial:
- Nevo melanocítico intradérmico, uma pinta elevada e clara, muito comum.
- Verruga viral, que tem superfície mais áspera.
- Queratose seborreica, tema sobre o qual escrevi em queratose seborreica: a lesão benigna que confunde.
- Neurofibroma, que em número elevado merece avaliação específica.
- Mais raramente, carcinoma basocelular em fase inicial.
É por isso que a orientação padrão é não arrancar em casa. Não pelo drama, mas porque uma lesão retirada sem avaliação é uma informação perdida.
Por que não cortar com tesoura ou amarrar com linha
A internet ensina duas técnicas caseiras, e as duas chegam ao consultório com problemas.
Amarrar com linha ou fio de cabelo provoca necrose por estrangulamento. Dói, pode infectar e a lesão às vezes cai pela metade, deixando uma base irregular.
Cortar com tesoura de unha costuma sangrar mais do que o esperado, porque a lesão tem vaso no pedículo, e o material não estéril traz risco de infecção.
Nos dois casos, a cicatriz tende a ficar pior do que a de uma remoção feita com técnica.
Como é a remoção no consultório
O procedimento é rápido e feito com anestesia local quando necessário. As técnicas mais usadas:
Exérese com tesoura ou lâmina, indicada para lesões pediculadas, com hemostasia adequada logo em seguida.
Eletrocoagulação, útil em lesões muito pequenas e múltiplas, cauterizando e retirando no mesmo movimento.
Criocirurgia, que congela a lesão, opção prática em algumas situações.
Em uma mesma sessão costuma ser possível tratar várias lesões. Quando há dúvida diagnóstica, o material é enviado para exame anatomopatológico.
Vale a mesma regra das demais cirurgias que faço: o procedimento é realizado após consulta, e o orçamento também é definido depois da avaliação, porque depende do número de lesões, do tamanho e da localização.
Depois do procedimento
O cuidado é simples: manter a área limpa, seguir a orientação de curativo quando houver, evitar coçar as crostinhas e usar protetor solar na região tratada. A exposição ao sol logo depois é o que mais contribui para deixar manchinha escura residual.
Nas primeiras semanas pode restar uma marca rosada ou levemente escurecida, que costuma clarear ao longo dos meses.
Referências
Acrocórdon é perigoso?+
Não. É uma lesão benigna, sem potencial de malignização. A avaliação existe para confirmar o diagnóstico, porque outras lesões podem se parecer com ela, e para investigar fatores associados como resistência à insulina.
Posso cortar em casa com tesoura ou amarrar com linha?+
Não é recomendado. Além da dor e do sangramento, existe risco de infecção e de cicatriz feia. E, se a lesão não for um acrocórdon, você perde a chance do diagnóstico correto.
Elas voltam depois de retiradas?+
A lesão retirada não volta, mas quem tem tendência pode formar novas em outros pontos, sobretudo se os fatores associados como sobrepeso, atrito e resistência à insulina continuarem presentes.
Ter muitos acrocórdons significa alguma doença?+
Não significa doença por si só, mas a presença de vários deles se associa com frequência a sobrepeso, resistência à insulina e síndrome metabólica. Vale conversar com o clínico sobre rastreamento nesses casos.
A remoção deixa cicatriz?+
Como as lesões são pequenas e superficiais, a marca costuma ser discreta. Nas primeiras semanas pode ficar uma manchinha rosada ou escurecida, que tende a clarear com o tempo e com proteção solar.
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