Lentigo solar: as manchas do sol nas mãos e no rosto
Imagem ilustrativa.
A frase costuma vir com um tom de resignação: "isso é da idade, né doutor?".
Não exatamente. As manchas castanhas que aparecem nas costas das mãos, nos antebraços, nos ombros, no colo e no rosto são lentigos solares, e o principal responsável por elas não é o calendário. É o sol acumulado ao longo da vida.
A distinção não é preciosismo. Se fosse só idade, não haveria o que fazer. Como é sol, existe prevenção.
O que é o lentigo solar
Lentigo solar é uma mancha benigna, plana e bem delimitada, causada pelo aumento de melanina e do número de melanócitos em áreas cronicamente expostas ao sol.
Ao contrário do bronzeado, que é difuso e temporário, o lentigo é localizado e permanente. Ele marca o ponto onde a pele registrou o dano.
As características típicas:
- Plano, sem relevo ao passar o dedo.
- Castanho claro a escuro, com cor relativamente uniforme.
- Contorno bem definido.
- Tamanho de poucos milímetros a mais de um centímetro.
- Localização em áreas fotoexpostas: dorso das mãos, antebraços, ombros, colo, face e couro cabeludo em pessoas calvas.
Por que aparece mais depois dos 40
A melanina é produzida como defesa. Cada exposição solar significativa deixa um pequeno registro, e esse registro se acumula.
Depois de décadas, algumas regiões passam a produzir pigmento de forma desorganizada e permanente. É por isso que os lentigos surgem em quem se expôs mais, e não simplesmente em quem tem mais idade. Duas pessoas de 60 anos com histórias solares diferentes têm mãos bem diferentes.
Fatores que aumentam a chance: fototipos claros, histórico de queimaduras solares, exposição ocupacional e uso de câmaras de bronzeamento.
O que pode ser confundido com lentigo solar
Aqui está a razão principal para não presumir o diagnóstico sozinho.
Efélides (sardas) aparecem cedo na vida, são menores e variam com a estação.
Melasma tem manchas maiores, de contorno irregular, geralmente simétricas na face e com forte componente hormonal. É o tema de outra abordagem, mais comum em mulheres.
Queratose seborreica costuma ter relevo e superfície engordurada, com aspecto de estar colada na pele.
Queratose actínica é áspera ao toque, às vezes mais palpável do que visível, e é uma lesão pré-maligna. Escrevi sobre ela em queratose actínica: a lesão do sol que merece atenção.
Lentigo maligno, que é uma forma inicial de melanoma em pele com dano solar crônico, costuma aparecer na face de pessoas mais velhas. Cresce lentamente, tem cores variadas dentro da mesma lesão e bordas irregulares.
Esse último é o motivo pelo qual manchas faciais que crescem ou que destoam das outras merecem dermatoscopia. O exame amplia e ilumina a lesão, revelando padrões que não aparecem a olho nu.
Quando investigar
Use estes critérios como gatilho para procurar avaliação:
- Mancha que cresce de forma perceptível.
- Mancha com mais de uma cor ou com áreas mais escuras.
- Bordas irregulares, mal definidas.
- Lesão que destoa do padrão das outras (o chamado sinal do patinho feio).
- Sangramento, coceira persistente ou descamação.
- Mancha nova depois dos 60 anos em área de sol crônico.
O que funciona no tratamento
Antes de tudo, o lentigo solar é benigno e não precisa ser tratado por questão de saúde. O tratamento é uma decisão estética legítima, e começa por um diagnóstico correto.
Entre as opções, e sempre individualizadas:
Fotoproteção, que é a base. Sem ela, qualquer tratamento vira enxugar gelo, porque novas lesões continuam surgindo.
Tópicos despigmentantes, que ajudam de forma parcial, com melhor resposta em lesões mais recentes e claras.
Crioterapia, congelando a lesão de forma controlada. Exige cuidado com a dose, porque em excesso pode deixar mancha branca residual.
Tecnologias como laser e luz intensa pulsada, que atuam sobre o pigmento e costumam ter boa resposta em lentigos, conforme revisões de tratamento da literatura dermatológica.
Peelings químicos, em protocolos específicos.
A escolha depende do fototipo, da quantidade de lesões, da região e do quanto a pessoa pode se comprometer com a fotoproteção depois.
O recado que fica
Lentigo solar é, ao mesmo tempo, uma questão estética e um marcador biológico. Ele mostra que aquela pele acumulou radiação suficiente para deixar registro permanente.
Isso não é motivo para alarme. É motivo para dois hábitos: proteger a pele daqui para frente e manter avaliação periódica das lesões pigmentadas, especialmente em quem tem muitas manchas ou pele clara.
Referências
Lentigo solar vira câncer de pele?+
O lentigo solar em si é benigno e não se transforma em melanoma. A ressalva é que ele indica pele com dano solar acumulado, e essa pele tem mais risco de outras lesões. Além disso, algumas lesões malignas iniciais podem imitar uma mancha simples, o que justifica a avaliação com dermatoscopia.
Qual a diferença entre lentigo solar e sarda?+
As sardas costumam surgir na infância, são menores, ficam mais escuras no verão e clareiam no inverno. O lentigo solar surge mais tarde, é maior, tem contorno definido e não clareia sozinho fora do verão.
Clareador resolve mancha de sol?+
Os clareadores tópicos podem ajudar de forma parcial, sobretudo em manchas mais claras e recentes. Em lentigos bem estabelecidos a resposta costuma ser limitada quando usados isoladamente.
As manchas voltam depois do tratamento?+
A lesão tratada pode não voltar, mas novas lesões surgem se a exposição solar continuar sem proteção. Manutenção com fotoproteção é parte do tratamento, não um detalhe.
Quando uma mancha castanha precisa ser avaliada com urgência?+
Quando cresce, muda de cor, tem bordas irregulares, apresenta mais de uma tonalidade, sangra, coça de forma persistente ou destoa das demais manchas do corpo.
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